Livro: Julho transformador

Desejo e Reparação - Contos - Erros



Desejo e Reparação

Image by Pixabay 

Roberto Albano




Desejo

Por acaso já ouviu a expressão “Você vive no mundo da Lua”? Eu? Sempre; percebi da pior maneira que assim erramos e quando percebemos; é tarde de mais.
Nossa como odeio comprar pão, porque dizem “Toma vinte reais, vai lá comprar pão”, onde está à complexidade; pois bem, se compro e sobram, reclamam, adivinha quem comerá pão amanhecido? Sim! Eu! Faltou? A repetição é chata, mas verdadeira. Todos reclamam quem terá que comer menos ou comprar mais? Você está ficando bom nisso. Isso mesmo, eu; e a mozarela então, que dor no peito, pura matemática, hoje estamos em cinco, cada um come duas fatias por pão, vou comprar uns doze pães, então doze vezes dois vinte e quatro, quantos gramas da isso?
Quando gritam “Próximo! Posso te ajudar?” pronto esqueci a porcaria do calculo. E aquele foi um dia desses o “Bendito dia de comprar pão”.
— Filha tome vai comprar pão!
Ouvia minha música preferida, ela poderia ir; mas acho que só tem dois tipos de pessoas no mundo as que odeiam comprar pão e as que já morreram.
— Da Terra para a Lua! A senhorita por obséquio poderia comprar o pão?
Odeio isso. Sai do carro pisando alto, porque não inventam um drive thru de pães. Esbarrei com um senhor, minha bolsa e fones caíram.
— Desculpa! Eu te ajudo!
— Obrigada!
Ajudou-me a pegar meus pertences, cheguei à fila da padaria... pouparei vocês dos cálculos. No caixa.
— Quinze e setenta.
— Tá!
Procurei na bolsa, nos bolsos; nada.
— Droga!
Já sei! O homem que derrubou minhas coisas; pior, vinha logo atrás de mim com a nota de vinte na mão.
— Essa nota é minha!
— Não!
— Você pegou quando derrubou a minha bolsa.
— O que está acontecendo?
Um homem de social aproximou-se, certamente o gerente.
— Ele pegou meu dinheiro quando derrubou a minha bolsa.
— Não! — Se defendeu.
— Senhor é verdade?
Verdade? Quase que gritei lógico olhe as roupas deles, certamente não tinha este dinheiro.
— Não! A bolsa dela cai...
— Mentira! Você a derrubou.
— É que...
— Posso ver o que está comprando?
Estendeu o produto ao gerente.
— O bolo custa quarenta! Cadê o resto?
— Eu disse! Ele pensou que roubará cinquenta. — O gerente olhou para ele e disse baixo.
— Devolva ou chamo a Polícia! — O homem pego no delito nem relutou, abaixou a cabeça lhe estendeu a nota e saiu.
O gerente me devolveu a nota. Paguei.
Assim que entrei no carro, minha mãe disparou.
— Como a mocinha da Lua pagou?
— Oras com o que me deste!
— Estendi o dinheiro, mas nem o pegou, está no estofado.
Gelei, levantei; poderia ver qualquer coisa, mas a única que não queria era a nota de vinte. Se possível cavaria um buraco e entrava dentro.
— Mãe! Cometi um grande erro! — Contei para evitar um estardalhaço.
— Gerente! — Gritou ela, não adiantou nada a conversa.
— Oi senho...
— É que...
— Raquel passou um senhor aqui com um bolo? — Perguntou o padeiro a funcionária do caixa.
— Só um minuto! Sim... — gerente caminhou para próximo do padeiro com o bolo. — ele tentou roubar a jovem, por sorte não conseguiu. Só que o estragou o bolo.
— O bolo já estava assim! Por isso fiz um desconto a ele, deixando pela metade do preço. — O padeiro pegou o bolo e foi para o fundo do supermercado.
— Cometi um erro senhor! — Argumentei triste e sem graça.
— Eu também!
— Ele mora por aqui? — Perguntei.
— Não sei.
— E agora filha?
— Tive uma ideia!
Alcancei o funcionário da padaria.
— Conhecia o senhor que pediu o bolo?
— Não! Perguntou o preço de vários, mas o coitado não tinha dinheiro suficiente...
Bem, quando pensamos que não pode piorar, sim lógico que pode, é a maldita lei de Murphy, ai vem uma bomba dessas, “O coitado” fez meus olhos encheram de lágrimas, talvez fosse para a esposa, pior para a esposa doente que pedira como último desejo. Junto com duas lágrimas, soltei.
— Droga! Droga! E droga! Desculpa!
— Espera. Ele falou que quase não achou papelão hoje. Tem um lugar que compram papelões a dez quadras daqui.
— Obrigada!
Respirei aliviada, mesmo sabendo que talvez não se lembrasse dele, ou pior que talvez vendesse em outro lugar.
Estacionamos.
— Oi! — Disse a um funcionário. — Procuro um senhor... — Fui minuciosa nas características.
— O Tonho! — Alívio. — O coitado... — Tai algo que me fazia sentir mais péssima ainda... — precisava de mais dinheiro para comprar um bolo para o aniversário da Rafaela à netinha dele. — Agora além do buraco, queria que um prédio caísse em cima.
— Meu Deus o que eu fiz!
— Calma filha! Vamos dar um jeito. O senhor sabe onde ele mora?
— Sei nos casebre da Rua Aurora o numero... 93; isso mesmo.
— Obrigado senhor!
— Mamãe tive uma ideia...


À noite um bater palmas.
O senhor abriu a porta. Era uma mulher com um vestido na mão.
— Aqui mora a Rafaela?
— Sim!  
— É agora vovô? — Perguntou Rafaela
A menina puxou um pouco mais a porta, vendo aquele lindo vestido na mão da mulher chorou.
— Vamos querida!
— Para onde?
— Para sua festa! Precisa colocar o seu vestido...
— Vovô?
— O convite é para os dois!
— Então vamos minha netinha!
...
Rafaela estava linda no vestido de princesa. O carro estacionou na frente de um condomínio. A mulher acompanhou-os até um salão assim que entraram as luzes se ascenderam e todos gritaram.
— Surpresa!
Havia uma faixa escrita "feliz aniversário Rafaela" um monte de crianças com presentes nas mãos, a menina olhava admirada, quando viu um bolo lindo agarrou-se a perna do avô.
— Vovô! Estou sonhando?
— Não minha filha.
— Como pode?
Ele com os olhos marejados se ajoelhou, limpo as lagrimas que escorriam dos dela.
— Somente quem atendeu seu pedido pode responder.
— Eu pedi só um bolo...
— Ele atende da melhor forma, e no momento dele não no nosso.
O senhor olhou para a mulher e sorriu, ela estava comovida.
— Vamos querida precisa aproveitar a sua festa. — sorriu-lhe estendendo a mão, Rafaela a pegou e juntou-se as outras crianças que a cumprimentava e lhe entregava o presente.




Reparação


Enquanto ela brincava; aproximei-me do senhor.
— Olá! — A palavra saiu estranha.
— Oi minha filha!
Agora sim aquilo me matou; o ofendi, o destratei e chama-me de filha. Meus olhos pareciam duas cachoeiras.
— Perdão pelo que fiz! — Estendi-lhe a nota de vinte.
— Imagine querida! — Querida? Agora o fluxo de água aumentou. — Não chore! Muitas vezes ganhei mais do que vinte, mas justo hoje não, quando pensei não conseguir nada, achei um monte embalado; pensei, Deus é bom! — Um singelo sorriso desabrochou daquela face maltratada pelo tempo e pela vida difícil. — Pesaram vinte reais; no supermercado já vi em outros dias bolos mais baratos, mas justo hoje, só havia os bolos mais caros, mas o funcionário ofereceu um danificado, pensei, Deus é bom! Indo para o caixa, esbarramos; ajudei-te, percebi que era o corredor dos produtos de festa... — Emocionou-se. — como seria bom comprar aquilo para minha neta que tanto sofrerá na vida, vi os preços, imaginei-a feliz, infelizmente não podia. Fui ao caixa, você estava na minha frente... e...
— Sei! Roubei sua nota! — Lágrimas.
— Fiquei triste, tudo ia bem e aquele desfecho, mas pensei Deus é bom! O dia ainda não acabou, quando cheguei ela veio correndo para ver o bolo, balancei a cabeça, ela sorriu dizendo “Calma vovô!  Ainda é cedo” tomou banho sentou na cadeira de frente para porta, ela acreditava, quando bateram palma, ficou sentada, sai e voltando ela disse “É agora vovô?” — lágrimas. — Concordei com a cabeça, nisso sua mãe entrou com o vestido, ela sorriu. — fiquei meio atordoada com sua mãe, pedi... — sua mãe me contou antes.  — ele olhou para a nota. — Quantas dessa eu precisaria para isso tudo? — Agora percebi. — Deus é bom!
— Deus é bom! — Sorri — Mas a nota continua sendo sua. — Concordou a pegou, nos abraçamos por uns segundos. E ele disse.
— Sabe minha filha, às vezes Deus permite coisas ruins para darmos valor nas coisas magnificas que nos proporcionará mais a frente, fiquei triste como você também ficou, mas aqui estamos agora radiantes de tanta felicidade... Meu muito obrigado! — Sorri.
— Eu que agradeço! — Um pai de uma amiga se aproximou...
— Preciso de um caseiro aqui num sitio que tenho aqui na cidade... — deixei-os e exclamei.


— Deus não é só bom! Deus é maravilhoso!


Roberto Albano



                        


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