Livro: Julho transformador

Escolhas da Vida - Contos - Amor

 Escolhas da Vida


 imagem by Pixabay Nastya Gepp

Roberto Albano





1-             Felicidade


— Ter vida é muito diferente de viver, porque com exatidão digo que não somente pelo fato de ter vida esta vivendo; estranho paradoxo. Podemos ter vida, mas não viver; vida é um estado, viver, ação, é fazer parte e não somente estar; muitos para não sofrer eximem-se dos deleites da vida; para não se desiludir, não evitam relações, sim compromissos, causando ao outro o mal que repudia, pensam ser fortes, na verdade; fracos; não sou a pessoa que melhor a aproveita, mas não a temo, usufruo tudo que tem, ou consigo, seja dor, alegria, frio, calor, tristeza, amor... Sim eu vivo. Algumas pessoas só reclamam, quando na verdade deveriam agradecer, por exemplo, pelo dia, as belas flores, os pássaros, as crianças no parque, veem somente as coisas ruim, como a infelicidade de ser vitima de um de pombo, que é sinal de sorte, alguns não acreditam, eu sim, oras poderia ser uma águia, ou quando pisam nos dejetos de um cachorro; fique feliz, poderias ser o de um cavalo, ou pior, estar descalço...
— Filosofando sobre a vida querido? — Sentiu um abraço acolhedor no tórax.
— Não entendo as pessoas! — Balançou a cabeça enfatizando as palavras.
— Ficar falando sozinho ajuda? Pensarão que és louco.
— Eu! Elas que nem se dão conta deste lindo dia, correm como se a vida dependesse dos empregos, compromissos, dinheiro...
— Mas em partes depende!
— Sim! Mas não é o mais importante, do que vale o dinheiro se possui uma doença sem cura...
— Já sei onde isso vai parar...
— Bob Marley foi sábio em dizer “Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar. Por que amamos as coisas e usamos as pessoas”  quisera eu pudessem gritar e o mundo inteiro me ouvir.
— Eu também amor. — Ela sussurrou no ouvido dele, que a puxa para frente, olhando-a admirado, acariciou lhe os cabelos; admirou os lindos olhos verdes, deslizou a mão pela face lisa, bela, e perfeita.
— Só o fato de a minha esposa ouvir já é alguma coisa.
— Você me conquista com seu otimismo...
— Esqueceu-se do charme, beleza...
— Paramos por aqui! — Ficou seria. — Mas; poderíamos continuar em outro lugar! — Sorrindo piscou.
— Uma hora dessas!
Ela ficou envergonhada dizendo meio que sem jeito.
— Você está cer... — ele a interrompeu.
— Vamos estamos atrasados! — Sorriu pegando-a no colo.
— Para bobo! Todo mundo está olhando! — As crianças e adultos sorriram.
— Deixem que contemplem!
— Sei seu... — sussurrou no ouvido dele — safado!
...

— Nossa a porta não abre! — como a segurava nos braços estava difícil girar a chave. — Consegui! — entrou.
— Mark a porta!
— Deixe! — Colocou-a em pé próxima a parede beijando com intensidade.
— Que delícia! — sorriu.
— É só o começo! — Com a mão direita levantou as duas mãos dela, segurando-as contra a parede, enquanto a outra se deliciava pelas sinuosas curvas do corpo dela.
Um barulho.
— Querido! O que foi isso? — Ele sem parar responde.
— Esbarrei no vaso quando entrei... depois limpo, ou quer agora?
— Me... melhor... depois! Se parar... te mato... — foram da parede da sala, para o sofá, depois na mesa do escritório, por fim a cama.
...

— Você fica linda assim! — Exclamou em pé junto a porta, ao vê-la encostada na cabeceira da cama com o lençol vermelho cobrindo boa parte do corpo.
— Descabelada! — sorriu, ajeitando o cabelo com a mão.
— Também! Mas refiro-me a este sorriso, diferente... incrível.
— Sabe o que ele diz?
— Que sou muito bom?
— Não! — Balançou a cabeça, depois voltou a sorrir.
— Que sou um palhaço?
— Bobo! O sorriso tem um nome...
— Mark! Lógico! — Sorriu.
— Não! Plena felicidade. Te amo!
— Também a amo! — Sentou-se na cama, beijou-a.
— Promete que sempre me amará?
— Prometo! — Sons de cacos. Olhou para a porta, depois para ela e só havia o lençol.
...



2-             Escolhas


— Sempre a amarei! — Uma lagrima escorreu.
— Senhor! Desculpe, quebrei o vaso da mesinha.
— Isso explica algumas coisas.
— Se quiser desconte do meu salário.
— Maria! Ficaria uns... dois anos sem receber.
— Nossa! Não imaginava ser tão caro. — Chorou.
— Não chore! Machucou-se?
— Não! É que não terei...
— Se está bem; o mais precioso está preservado. — Sorriu. — A enfermeira nova chegou?
— Sim senhor!
— Diga para ela e o Claudio virem.
...

— Bom dia! — Exclamou sorrindo ao ver os funcionários.
— Bom dia! — Claudio respondeu com entusiasmo, a moça exclamou seria.
— Aposto que tivera um ótimo sonho senhor!
— Sim! Tive um dos bons! — O funcionário colocou a cadeira de rodas especial do lado da cama. Tirando o lençol vermelho, pegou-o, como se fosse uma criança o colocou na cadeira, que possuía um apoio especial para a cabeça.
— Correu... nadou... ou jogou bola?
— Nenhum! — Mark sorriu.
— Pelo sorriso, deduzo que sonhaste com sua amada.
— Sim!
— Onde estavam?
— Começamos no parque agora o resto... ela estava linda amigo.
— Sim! Ela era muito linda... desculpa senhor!
— Por dizer a verdade? Imagine! Não foram bons anos foram, sim maravilhosos, tive muita sorte... — olhou para a mulher ao perceber a expressão de espanto dela, principalmente depois das ultimas palavras. — Seja bem vinda Antonia.
— Obrigada senhor!
— Pergunte?
— A Maria já explicou os procedimentos...
— Não falo disso! Sei que tens pergunta a respeito da minha condição, e ninguém a informara.
— Como pode acordar feliz... nossa desculpa... foi indelicadeza minha...
— Tudo bem! Simples tenho duas opções, acordar triste ou feliz, prefiro à segunda.
— O que lhe aconteceu?
— Um motorista embriagado acertou nosso carro, eu fiquei tetraplégico. Minha esposa não teve a mesma sorte de sobreviver.
— Sorte senhor! — Exclamou descrente.
— Sim sorte! Por conseguir um sorriso do Claudio que há meses perderá um filho, sorte em estar aqui para te conhecer, tenho restrições, mas aqui em cima — levantou as sobrancelhas. — tenho doces lembranças do passado, sinto como se acontecesse agora, e mesmo preso... sim; sou livre.
— Nunca vi um amor deste!
— Viu sim! Mas mesmo de olhos abertos podemos não enxergar. Damos mais atenção aos entraves da vida do que a beleza dela. A vida é um milagre, não podemos desperdiça-la com trivialidades. Apesar de tudo que lhe aconteça faça sempre a escolha certa...
— Qual senhor?
— Escolha sorrir! Escolha ser feliz! Escolha viver!




Roberto Albano



                        



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